Aqueles que agora se afastam dos sistemas religiosos podem ser entendidos como rebeldes. Reconheceram que o que lhes foi apresentado como autoridade divina não era o que afirmavam ser. Saíram de sistemas que se posicionavam como a voz do Criador, mas que não refletiam a verdade. No entanto, este despertar não os leva a todos ao mesmo lugar; em vez disso, divide-os.

Ilustração criada por Gemini.
Frequentemente, fala-se da liberdade como se fosse um único momento, uma ruptura com algo que antes detinha poder. Muitos acreditam hoje que, ao abandonar a religião, se tornam livres.
Contudo, esta suposição não explica completamente o que está a acontecer.
Se a liberdade fosse simplesmente o ato de partir, a clareza viria logo a seguir. Mas o que vemos, em vez disso, é confusão, fragmentação e, em muitos casos, uma forma mais profunda de desconexão. Isto sugere que o que está a ser experienciado não é a liberdade completa, mas uma transição para algo diferente.
O que parece ser libertação começa a revelar-se, quando examinado de perto, como uma forma diferente de cativeiro.
Aqueles que agora se afastam dos sistemas religiosos podem ser entendidos como rebeldes. Reconheceram que o que lhes foi apresentado como autoridade divina não era o que afirmavam ser. Saíram de sistemas que se posicionavam como a voz do Criador, mas que não refletiam a verdade.
No entanto, este despertar não os leva a todos ao mesmo lugar; em vez disso, divide-os.
O Primeiro Grupo: Os Rebeldes em Busca
O primeiro grupo é composto por aqueles que viram através da estrutura da religião, mas não abandonaram a compreensão de que existe um Ser Supremo.
Reconhecem que a religião, tal como foi apresentada, não foi sancionada pelo Criador. Libertaram-se do seu controlo, mas não rejeitaram a existência de uma autoridade superior. Compreendem que existem Seres Centrais Espirituais Físicos (PSCBs), termo que revelei para definir os autênticos guias e líderes espirituais dentro das suas hierarquias de autoridade, escolhidos e posicionados numa ordem espiritual maior, tanto aqui na Terra como nas dimensões espirituais.
A sua posição não é de rejeição, mas de procura.
Já não estão presos, mas ainda não estão totalmente enraizados. O seu desafio já não é escapar, mas encontrar a verdade Divina que existe para além da distorção que deixaram para trás.
Encontram-se em um espaço de transição. Afastaram-se da estrutura falsa, mas ainda não se voltaram a ligar completamente ao Sistema Original restaurado e revelado.
O Segundo Grupo: Os Rebeldes Deslocados
O segundo grupo reflete uma condição diferente.
São indivíduos que não só abandonaram a religião, como foram profundamente afetados por ela. A sua experiência foi moldada pelo medo, pelo controlo e por uma forma de autoridade que se apresentava como divina, ao mesmo tempo que operava através da confusão e da contradição.
O que lhes foi imposto não trouxe clareza. Trouxe trauma.
Ao romperem com a religião, não a rejeitaram simplesmente, mas rejeitaram a própria hierarquia.
É aqui que começa o desequilíbrio.
A rejeição da autoridade religiosa estende-se à rejeição da hierarquia. Qualquer conceito que se assemelhe a ordem, estrutura ou posicionamento espiritual é visto com desconfiança. A ideia de Seres Centrais Espirituais Físicos torna-se inaceitável, não por falta de verdade, mas porque os faz recordar o que vivenciaram.
Neste estado, novos conceitos começam a emergir.
A Viragem em Direção ao “Universo”
Uma das alternativas mais comuns é a ideia do universo como força central.
Superficialmente, este conceito parece oferecer liberdade. Elimina a autoridade e a estrutura hierárquica. Substitui a hierarquia por energia e alinhamento pessoal. Sugere que aquilo que se atrai é baseado naquilo que se incorpora.
No entanto, quando examinado de perto, este conceito não fornece respostas completas.
Explica a interação, mas não a origem. Fala de energia, mas não define a sua fonte. Oferece uma estrutura para a experiência, mas não um fundamento para a existência.
Elimina a questão da autoridade, mas, ao fazê-lo, deixa uma lacuna.
A questão da criação permanece sem resposta.
A Posição “Eu Sou Deus”
Paralelamente a esta, uma outra posição ganhou relevo: a ideia de que o indivíduo é Deus.
À partida, esta parece ser a forma mais elevada de empoderamento. Remove toda a autoridade externa e coloca o poder supremo dentro do “eu”.
Mas esta posição exige uma análise mais profunda.
Quando definimos o que o Criador representa, referimo-nos a um ser sem limitações, sem dependências e sem contradições. O ser ou entidade espiritual mais elevada, completa em autoridade e existência.
Um ser humano não se enquadra nesta descrição.
A existência humana é marcada por limitações. É moldada pela aprendizagem, pelo erro e pela dependência de sistemas para além de si mesma. Mesmo os indivíduos mais avançados não operam sem restrições.
Isto levanta uma questão necessária.
Por que razão este conceito existe?
Quando observado atentamente, revela uma reação.
Não se trata apenas de empoderamento. Trata-se de resistência. É uma rejeição da hierarquia, impulsionada pelo desejo de evitar ser colocado abaixo de qualquer forma de autoridade. É uma tentativa de resolver imposições passadas, removendo completamente a estrutura.
No entanto, ao fazê-lo, cria outra forma de desequilíbrio.
A Questão da Hierarquia
A hierarquia é frequentemente mal compreendida porque foi deturpada.
O que muitos rejeitam não é a hierarquia em si, mas a sua distorção.
A hierarquia não é uma invenção humana. É um princípio espiritual. É a estrutura através da qual a ordem é mantida. Define posição, função e fluxo dentro de um sistema.
Sem hierarquia, não há coordenação. Sem coordenação, não há estabilidade.
Isto não se observa apenas nos sistemas espirituais. Reflete-se em todas as formas de existência. Mesmo os sistemas humanos, na sua tentativa de criar ordem, recorrem a este princípio, muitas vezes sem reconhecer a sua origem.
A rejeição da hierarquia não é, portanto, um movimento em direção à liberdade.
É um movimento para longe da ordem.
Falsa Liberdade
O que estamos a testemunhar não é a libertação completa.
É uma condição que pode ser descrita como falsa liberdade.
O primeiro grupo separou-se, mas ainda procura o alinhamento. O segundo grupo separou-se, mas passou a rejeitar a própria estrutura.
Ambos os grupos abandonaram a religião, mas nenhum regressou completamente ao Sistema Original.
Esta é a condição do Sistema Intermédio.
Remove a estrutura falsa, mas não restaura a verdadeira. Cria espaço, mas não o preenche de forma clara.
Como resultado, o que aparenta ser liberdade é, na realidade, um estado de desconexão.
Em direção à verdadeira liberdade
A verdadeira liberdade não se encontra na ausência de estrutura.
Encontra-se na restauração da estrutura correta.
Ela não se encontra na rejeição da autoridade.
Encontra-se no reconhecimento da autoridade legítima.
Ela não se encontra apenas na crença.
Ela encontra-se no conhecimento.
É aqui que o regresso ao Sistema Original se torna necessário. Um sistema onde a hierarquia não é imposta, mas sim compreendida. Onde a autoridade não é reivindicada, mas revelada. Onde a ligação com o Criador não é presumida, mas sim estabelecida através da verdade.
Nem todos os que partiram são livres.
Alguns apenas migraram de uma forma de controlo para outra.
A liberdade não é a rejeição da estrutura.
A liberdade é a restauração da verdade.
No entanto, é aqui que a realidade deve ser confrontada. África continua a rejeitar a Espiritualidade Indígena Africana, mesmo quando esta se apresenta através de uma orientação espiritual autêntica, através da revelação e através da autoridade espiritual legítima que existe para encaminhar a humanidade para o caminho correcto.
Contudo, é essa mesma autoridade, fundamentada na hierarquia, que é rejeitada pelo africano.
Esta rejeição não é isenta de consequências. Ela tenta remodelar a Espiritualidade Indígena Africana para algo que nunca foi. Reduz-a a uma forma que parece sem estrutura, sem ordem e sem autoridade. Ao fazê-lo, ela despoja-a do próprio fundamento que estabelece os padrões de prática dentro da sua existência cósmica.
O que está a ser rejeitado não é a desordem, mas a própria ordem. O que está a ser resistido não é o controlo, mas o alinhamento.
E nesta rejeição, continua a deturpação da espiritualidade indígena africana.







O artigo apresenta uma crítica sofisticada da “desconstrução” espiritual moderna, sugerindo que o ato de deixar a religião organizada é frequentemente confundido com o destino final da liberdade, em vez de ser visto como um período de transição volátil. O texto pressupõe que muitos dos que se afastam caem em um estado de “Falsa Liberdade”, onde trocam as paredes rígidas do dogma por um cenário fragmentado de confusão e isolamento. Argumenta-se que a verdadeira libertação não é encontrada na ausência total de estrutura, mas na restauração do que o autor chama de “Sistema Original” — um modelo onde a autoridade não é imposta pelo medo, mas revelada pela verdade.
Em última análise, a lição principal é um chamado para ir além da identidade de “rebelde”. O artigo sugere que, embora quebrar correntes seja um ato necessário de despertar, ele deve ser seguido por um retorno consciente a uma realidade espiritual estruturada, desafiando o leitor a distinguir entre “controle”, que é uma imposição humana, e “alinhamento”, que é uma necessidade espiritual. Nesta visão, a liberdade não é o poder de ser o seu próprio Deus, mas a clareza para reconhecer e posicionar-se dentro de uma hierarquia espiritual maior e autêntica.